ApologéticaCatolicismo

Por que jovens protestantes estão se convertendo ao catolicismo?

Jovens criados em lares protestantes estão se convertendo ao catolicismo romano. Conversei com vários desses convertidos e descobri que seus motivos para abandonar a fé são variados. 

O que se segue é uma avaliação baseada em conversas pessoais, análises teológicas e uma tentativa de observação pastoral honesta. Parte do que leva os jovens a se voltarem para a Igreja Católica e no caso dos EUA, também para a Igreja Ortodoxa Oriental reflete sua própria ignorância teológica. Eles não foram fundamentados nas Escrituras e são atraídos pela tradição, pela aparência, pelos aromas e pelos símbolos, e por uma instituição que se autoproclama antiga, em vez da verdade. Mas, por outro lado, parte do que os motiva reflete falhas genuínas do Protestantismo, e é sobre isso que trata este artigo.

Pregação protestante superficial

Muitos pastores carecem de domínio da teologia bíblica. Eles não conseguem integrar a Trindade, a união hipostática, a justificação, a imputação, a aliança etc., em uma estrutura coesa durante o sermão. Em vez disso, muitos oferecem histórias e ilustrações que fornecem uma lista superficial de princípios úteis. Já vi isso acontecer muitas vezes, a ponto de lamentar como a congregação está sendo privada do alimento sólido e recebendo apenas leite. Para os jovens, essa abordagem superficial pode parecer mais um artifício do que o Evangelho. O resultado é uma dieta semanal de mensagens moralistas, histórias motivacionais e apresentações espiritualmente superficiais, às vezes salpicadas com anedotas humorísticas para manter a congregação engajada. Isso pode deixar o ouvinte faminto espiritualmente e desejando mais. Os jovens não são tolos. Eles querem uma conexão com Deus. Eles querem uma experiência real, e a pregação superficial os priva da poderosa Palavra de Deus (Isaías 55:11).

O pregador protestante precisa proclamar a palavra de Deus, e não preparar a congregação com mensagens adocicadas. Ele precisa se firmar na verdade da Palavra, proclamar seu poder transformador e fazê-lo com a confiança e a autoridade que lhe foram conferidas como pastores.

Quando o púlpito é superficial, os bancos ficam vazios. Então, quando os bancos ficam vazios, eles promovem programas, luzes, conforto, histórias, teatros, e muito mais para manter as pessoas presentes, chegando a parecer mais um clube do que uma igreja.

Preenchendo assentos em vez de corações e mentes

Eis uma questão séria. Será que os pastores protestantes estão mais preocupados em encher os bancos da igreja do que com os corações e as mentes da congregação? Tenho certeza de que alguns estão, e outros não. Mas, considerando os sermões frequentemente superficiais e moralistas, os ambientes confortáveis, a música agradável e a atmosfera amigável, devemos nos perguntar se os pastores estão se apoiando nas aparências para manter as pessoas frequentando as igrejas, em vez de deixar que a Palavra de Deus fale aos seus corações. Se for esse o caso, os jovens perceberão isso. Isso pode levar à sensação de serem manipulados em vez de nutridos e amados. Essa insatisfação eventualmente se transforma em uma busca por algo melhor, e a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa surgem para oferecer uma solução.

Os pastores certamente precisam fazer com que as pessoas se sintam à vontade para que possam desfrutar do culto. Mas também precisam pregar com profundidade, confiança e sem se preocupar com o número de assentos vazios. Precisam pregar para agradar a Deus, não às pessoas.

Divisão Denominacional

A multiplicidade de divisões denominacionais protestantes implica confusão teológica. Quando o jovem se depara com milhares de igrejas independentes e centenas de denominações, cada uma aparentemente defendendo suas próprias verdades doutrinárias, isso pode gerar dúvidas sobre se alguém realmente compreende a Bíblia. Também pode levá-lo a pensar que o protestantismo está repleto de interpretações contraditórias da Palavra de Deus, que não existem absolutos espirituais genuínos e que, se não gostar de uma igreja, pode simplesmente fundar a sua própria em outro lugar. Assim, legitimamente, ele se pergunta: quem está certo? Para um jovem que já enfrenta o relativismo moral em uma cultura secular em declínio, os absolutos são desesperadamente necessários. A fragmentação inerente ao denominacionalismo protestante pode desestabilizar emocional e intelectualmente a confiança de um jovem crente na Palavra de Deus, tornando-o vulnerável à pompa e à cerimônia do catolicismo romano e da ortodoxia oriental. Ambas as tradições projetam coerência, continuidade e autoridade consolidada com considerável confiança. Para um jovem à deriva em um mar de vozes protestantes concorrentes, essa projeção pode ser tentadora.

Os pastores precisam falar bem de outras denominações e demonstrar unidade nos pontos essenciais, além de tolerância nos pontos não essenciais.

Uma geração ávida por absolutos não tolerará uma igreja que não consegue chegar a um consenso sobre eles. E as divisões protestantes não apenas confundem os jovens; elas podem, inadvertidamente, recrutar para o inimigo.

Raízes históricas

A tradição tem seus benefícios, assim como suas falhas. Mas, obviamente, as igrejas não denominacionais praticamente não possuem tradição. São recém-chegadas ao cenário teológico. Se chegaram recentemente, desaparecerão tão rapidamente quanto surgiram? Em contraste, as igrejas Católica Romana e Ortodoxa Oriental alegadamente, se apresentam como a continuação ininterrupta da autoridade apostólica que remontam à primeira igreja original (não concordo com essa afirmação). Para um jovem em busca de um porto seguro em um mundo turbulento, isso pode ser emocionalmente atraente. Pode fomentar um senso de conexão com povos antigos e com outras pessoas ao redor do mundo. Isso pode proporcionar satisfação emocional em uma igreja que foi “testada pelo tempo”. Esse senso de pertencimento e continuidade pode ser um poderoso atrativo, e se comparadas as “igrejas” evangélicas que aparecem do dia para a noite, as antigas catedrais do catolicismo e da ortodoxia oriental podem parecer um terreno histórico sólido.

Transcendência, conexão com Deus

Neste contexto, transcendência trata da conexão com o Deus infinito. Muitos ambientes de igrejas não denominacionais são tão informais que podem parecer não levar Deus a sério. Música contemporânea, atmosferas descontraídas e cultos com programas predefinidos podem deixar os jovens com a sensação incômoda de que nada genuinamente sagrado está acontecendo (com raras exceções). O contraste com os cultos ortodoxos orientais e católicos romanos é gritante. Eles possuem uma liturgia solene, iconografia, arquitetura e cerimônia que podem induzir a sensação de estar na presença de algo maior do que eles mesmos. Isso não deve ser ignorado ou subestimado pela igreja protestante. Não se trata de dizer que um ambiente informal esteja errado. Não está. Mas, combinado com falhas em outras áreas, pode se tornar a base sobre a qual se constrói a insatisfação. Em vez disso, a pregação protestante precisa abordar a transcendência de Deus e a capacidade do crente de encontrar Deus por meio de Cristo (1 Coríntios 1:9). A transcendência do Deus poderoso e infinitamente santo precisa ter seu lugar na igreja protestante. Isso pode ser proporcionado por meio da pregação da verdade transcendente, em vez de histórias e testemunhos para entretenimento.

Quando um culto protestante se assemelha a um seminário motivacional, a antiga liturgia do catolicismo e da ortodoxia oriental pode levar os jovens a um fascínio pelo ritual em vez de os firmar em Jesus.

O Vazio Sacramental

Grande parte da doutrina protestante é, por natureza, intelectual. Pregamos a justificação somente pela fé. Proferimos sermões sistemáticos e exegéticos. Apresentamos a Ceia do Senhor como uma comemoração simbólica, e não como um encontro sacramental. (Os erros da “eucaristia” na Igreja Católica e na Igreja Ortodoxa merecem atenção especial, mas estão além do escopo deste artigo.) A natureza simbólica da Ceia do Senhor é biblicamente defensável e teologicamente correta. Mas símbolos não são o mesmo que conexões. São representações e, quando tratados sem reverência, peso teológico ou a majestade do sacrifício de Cristo, podem parecer teóricos. Isso pode levar os jovens a concluir erroneamente que o cristianismo protestante é principalmente um exercício intelectual, em vez de um encontro vivo com o Deus vivo.

Os jovens não estão rejeitando a doutrina; estão rejeitando a doutrina que nunca se torna pessoal. Ao celebrar a Ceia do Senhor, concentre-se na compreensão de que Deus decretou eternamente a salvação do Seu povo, que Ele a providenciou para todos os cristãos em todos os lugares e tempos, e que participar dela não é um exercício intelectual, mas um encontro espiritual com o Salvador.

O Perdão dos Pecados

O catolicismo romano e a ortodoxia oriental mantêm um sacerdócio não bíblico, no qual uma pessoa confessa seus pecados a um sacerdote, que então os declara perdoados. Ouvir as palavras “seus pecados estão perdoados” proferidas por uma figura de autoridade pode produzir uma genuína sensação de libertação espiritual. Esse sistema sacerdotal não se encontra no Novo Testamento, mas jovens que desconhecem isso podem experimentar uma proclamação que alivie sua culpa. Mas a resposta protestante não é mais fraca. É mais forte. Precisamos proclamar a verdade com convicção de que a morte e ressurreição de Jesus são a razão pela qual somos justificados somente pela fé (Romanos 3:28; 4:5; 5:1). Afinal, Cristo cancelou a dívida do pecado na cruz (Colossenses 2:14), e essa verdade é pessoal e acessível a todo crente por meio de seu relacionamento vivo com Jesus. Nenhum sacerdote terreno com vestes especiais, autoridade especial e poder especial é necessário. O problema não é que a teologia protestante careça de respostas. O problema é que as igrejas protestantes, com muita frequência, reduzem o perdão dos pecados a uma proposição doutrinária, em vez de um direito experiencial fundamentado na fé em Jesus como a realidade viva, libertadora e transformadora.

Os jovens não precisam de um padre para lhes dizer que seus pecados estão perdoados. Eles precisam de um pregador ousado o suficiente para lhes mostrar que Cristo já os perdoou.

A lacuna de credibilidade intelectual

Parece haver uma verdadeira escassez de líderes não denominacionais capazes de defender de forma competente a teologia protestante. Quando um jovem leva perguntas difíceis ao seu pastor ou a outros cristãos e recebe respostas superficiais, as consequências emocionais e intelectuais são significativas. Perguntas sem resposta não permanecem sem resposta; elas se transformam em dúvidas. E dúvidas, quando não abordadas, tornam-se o terreno fértil para o abandono de uma teologia que, aparentemente, não resiste ao exame. Se esses mesmos jovens encontram um professor católico romano ou ortodoxo oriental que se dedica às suas perguntas e as responde recorrendo à história e à tradição da Igreja, isso pode motivá-los a buscar mais respostas semelhantes na Igreja Católica Romana e na Igreja Ortodoxa Oriental. A confiança no protestantismo começa a declinar e inicia-se um lento declínio rumo à apostasia.

Quando pastores e cristãos não conseguem responder a perguntas sérias, as respostas da Igreja Católica e da Igreja Ortodoxa podem atrair jovens para suas igrejas através das antigas portas da tradição e de respostas já consagradas.

Tomar uma posição

O autodiagnóstico costuma ser desconfortável. Mas precisamos nos perguntar se pregamos sermões superficiais, priorizamos a frequência em detrimento do discipulado, projetamos confusão denominacional, despojamos os santuários de sua sacralidade e deixamos questões sérias sem resposta. Essas são as nossas falhas. Precisamos corrigi-las.

Pastores protestantes devem pregar com ousadia todo o conselho de Deus, sem pedir desculpas e sem suavizar as Escrituras com histórias e lições resumidas. Precisam aprender a responder perguntas difíceis e, se não souberem a resposta, podem recorrer a sites como carm.org, equip.org ou gotquestions.org para encontrá-la. Os jovens precisam de Deus. Eles estão buscando a Deus. Vamos ajudá-los a encontrá-Lo.

Além disso, sejamos claros sobre o que estamos combatendo. O catolicismo romano e a ortodoxia oriental não são formas antigas da verdadeira fé. Ambos pregam um falso evangelho, promovem um falso sacerdócio e incentivam a idolatria em sua devoção mariana. As Escrituras jamais autorizam essas heresias. Essas não são divergências secundárias. São erros de nível evangélico com consequências eternas, e devem ser nomeados, respondidos e refutados com convicção — do púlpito!

Os jovens não estão abandonando a fé porque o catolicismo e a ortodoxia oriental estão certos. Estão abandonando porque falhamos em mostrar-lhes a profundidade, a santidade, a verdade e a seriedade do cristianismo bíblico. A solução não é imitar suas cerimônias ou adotar sua liturgia. A solução é sermos o que afirmamos ser: uma fé construída somente nas Escrituras, salva somente pela graça, somente pela fé em Cristo, somente para a glória de Deus. Essa não é uma proclamação fraca. É a resposta mais fundamentada biblicamente, intelectualmente rigorosa e espiritualmente satisfatória para todas as necessidades que os jovens e outras pessoas têm. Portanto, vamos pregar e ensinar com verdade e poder.

2 Timóteo 3:16: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça.”

 

Matt Slick

Matt Slick é o presidente e fundador do Christian Apologetics and Research Ministry. Formado em Ciências sociais pelo Concordia University, Irvine, CA, em 1988. Bacharel em ciências da religião e mestre em apologética pelo Westminster Theological Seminary in Escondido, Califórnia